ARROW: MÁRTIRES, CRISTO E EU
– Clinton Ramachotte, 14.01.2018 AVISO: Contém spoiler da série Arrow nesse texto. Seja totalmente responsável por lê-lo até o final. Deixo posto aqui, assim como coloquei nos textos que escrevi usando Batman e Flash como exemplos, que minha intenção não é afirmar que Arrow é uma série cristã ou que ela é bíblica. O que farei aqui é apenas ilustrar usando a série Arrow. Para aqueles que não sabem, Arrow é a série que conta a história do Arqueiro Verde, membro da Liga da Justiça (nos quadrinhos e nos desenhos antigos), da DC. Estava eu revendo alguns epísodios e na 3ª temporada algo me chamou a atenção. Oliver Queen, o Arqueiro Verde, depois de batalhar com o líder da Liga dos Assassinos (Ra’s Al Ghul) e sobreviver, recebe a profecia de que ele será o próximo líder da liga dos assassinos. Dali em diante, vemos um Oliver diferente, sombrio e que aparentemente se rendeu à profecia que havia a seu respeito. Entretanto, conforme segue a série, é revelado que Oliver estava planejando, sem que seus parceiros soubessem, matar Ra’s Al Ghul enquanto eles estavam dentro de um avião. A ideia dele era derrubar o avião estando e não só matar Ra’s Al Ghul, mas também morrer – isso pode até lembrar Sansão em sua morte (Juízes 16.30), mas não quero falar de Sansão… quero expôr Cristo e os crentes, portanto, prossigamos. O plano de Oliver falha e ele não consegue matar Ra’s Al Ghul (e morrer junto) e é aqui que quero que nós, cristãos, pensemos acerca de nossa vida neste mundo. Em um outro episódio (não me lembro qual, mas creio que esteja entre a 2ª e a 3ª temporada) o Arqueiro Verde afirma que “A essência do heroísmo é morrer para que outros possam viver”. Tendo em vista a primeira situação exposta e a frase dita por ele, me vem a mente todos os nossos irmãos que morreram e continuam morrendo por não negar a fé em Cristo. Tertuliano certa vez disse: “O sangue dos mártires é a semente dos cristãos” – Tertuliano Por que a semente? Porque, por incrível que pareça, sempre que a igreja de Deus é perseguida e alguns de seus filhos morrem, outros são alcançados pela graça e trazidos a vida. Cristo, que é o Cordeiro de Deus, se entregou por nossos pecados consciente e voluntariamente. Ele entregou sua vida e fez exatamente o que foi dito por Oliver Queen: morrer para que outros possam viver. Temos constantemente lembrado de João 3.16 e pensado somente naquilo que Cristo fez por nós, esquecendo-nos da ordem expressa em 1 João 3.16: “Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.” Veja bem, longe de mim comparar o Salvador de nossas almas com um ator, mas cabe aqui a reflexão acerca de dois pontos: 1. O que se passa em nosso coração todas as vezes em que lembramos da morte de Cristo? Será que temos anunciado ao mundo que Cristo morreu sem nenhum tipo de alegria e anseio? 2. Ao compreendermos acerca da morte de Cristo por nosso lugar, estamos verdadeiramente dispostos a trilhar o mesmo caminho que o nosso Senhor, se Deus assim quiser? A Escritura diz que nos foi dado não somente o privilégio de sermos alcançados e crer em Cristo, mas também de padecer por Ele (Filipenses 1.29). Particularmente, creio que aqueles que morrem por amor a Cristo através de uma perseguição foram chamados especificamente para isso. Entretanto, todo cristão deve clamar ao Senhor para que Ele lhe dê graça para jamais negá-Lo. É Cristo quem salva e isso é indiscutível, mas o meio pelo qual Ele alcança seus eleitos é através da pregação do Evangelho, anunciado pela sua igreja. Talvez estejamos acomodados o suficientes para não se preocupar com aqueles que estão separados por Deus, mortos em pecados e rumando ao inferno. Mas temos que nos lembrar que Cristo “pôs em nós a palavra da reconciliação.” (2 Coríntios 5:19), o que significa que precisamos imitar o Senhor e, se preciso, entregarmos nossas vidas para que outros possam ser alcançados pela Palavra de Deus. Sei bem que alguns, ao lerem esse texto, vão pensar “falar é facil”, mas não quero colocar ninguém além do próprio Cristo como padrão. Sei que todos aqueles que foram mortos em perseguições, a começar com Estêvão, foram sustentados pelo Espírito Santo nos últimos momentos de vida. Seja como for, convido você, leitor, a refletir sobre como tens vivido a vida que o próprio Deus comprou com sua morte na cruz. Ele, o nosso Herói, pôs em nós a palavra da reconciliação. Sejamos simplesmente crentes, nascidos de novo vivendo para a glória daquele que nos deu vida, sabendo que o Senhor ainda tem seus eleitos espalhados pelo mundo, carecendo da fé salvífica no Senhor, a qual vem pelo ouvir e o ouvir das palavras expostas na Bíblia (confira Romanos 10.17; Hebreus 12.2). Que o Senhor nos acrescente a cada dia mais fé, para que possamos viver (ou morrer) nesse mundo a nossa curta peregrinação para a glória de Deus.
