“Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.” (Colossenses 1.19-20 ACF)
“Porque foi do agrado do pai”: assim começa esse versículo. O pontapé do que se segue adiante é o que aqui está dito. Deus se agradou daquilo que Paulo diz a seguir. Isto é, Deus não só aprovou, como desejou e quis que “toda a plenitude nele habitasse”.
Na sequência da fala, temos uma exaltação ainda da pessoa de Jesus. Enquanto percorre em seu discurso sobre a grande do Deus Único e Verdadeiro, o apóstolo afirma que “foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse”. Por “plenitude”, Paulo enaltece o Senhor como sendo o Sustentador de todas as coisas. Embora saibamos que Cristo é Todo-Poderoso, o apóstolo faz questão de afirmar algo que anteriormente já havia sido dito por João (João 1.14): a grande glória de Deus reside na pessoa de Jesus. Sim, Ele é glorioso. É o Deus glorioso, afirmado pelas Escrituras como sendo “o princípio e o fim” (Apocalipse 1.8).
Além disso, Paulo também está dizendo que em Cristo não há deficiência alguma. O fato de “toda a plenitude” habitar em Jesus significa que nele está tudo aquilo que é perfeito, glorioso, não havendo nenhum tipo de imperfeição, e é interessante lembrar disso. Jamais devemos nos esquecer que Jesus Cristo é o Deus que se fez homem, mas jamais pecou: “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.” (Hebreus 4.15 ACF). Aquele que tem em si toda a plenitude, que sustenta tudo o que existe, é também Aquele que se compadece de nossas fraquezas e nos ajude nas nossas lutas. Louvado seja o soberano Senhor!
Embora Paulo comece esse texto falando sobre a plenitude habitar em Cristo (conforme explicado anteriormente), o centro da sua fala é a morte de Jesus Cristo e seus efeitos. Não à toa que Paulo prossegue, dizendo que Cristo fez “a paz pelo sangue da sua cruz”, e que com isso reconciliou “consigo mesmo todas as coisas”. O sangue de Cristo foi um sangue puro e inocente. Superior a todos os sacrifícios exigidos no Antigo Testamento, o derramamento do sangue precioso de Jesus foi o sacrifício aceitável por Deus para nossa salvação. Por isso aqui é dito que Cristo “reconciliou consigo mesmo todas as coisas”. Pela própria gramática portuguesa entendemos que o apóstolo não tem a intenção de afirmar que todos os seres humanos e todas as coisas criadas estão reconciliados — como cristãos, não cremos nessa heresia absurda chamada “universalismo”. Mas aqui está dito que Cristo é Aquele que restaura todas as coisas. Claramente não nos tornamos livres na natureza do pecado, mas Ele bebeu o cálice da ira que era nosso, pagou a dívida impagável que tínhamos e nos reconciliou com Deus. Isso me lembra outro trecho escrito pelo apóstolo Paulo, muito citado mundo afora, mas esquecido do seu contexto: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Coríntios 5.17 ACF). Sim, somos nova criatura, mas Paulo não resume sua fala nisso. A intenção do apóstolo ao enaltecer e enfatizar a morte de Jesus e a nossa salvação é render glórias ao verdadeiro autor da salvação: “E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação;” (2 Coríntios 5.18 ACF).
Que façamos coro com o apóstolo Paulo, o qual faz coro com Jonas, dizendo: “do Senhor vem a salvação” (Jonas 2.9).
Soli Deo Glória!
Em Cristo,
— Clinton Ramachotte.
Clinton Ramachotte é membro da Igreja Batista em Moraes Prado, na capital de São Paulo.
Bacharel em Teologia pela FATERGE, e também pela ESTEC-REF. É também professor da matéria de Seitas e Heresias na ESTEC-REF.
Autor de obras importantes na apologética, como “Os 5 Solas e Eu: A Prática Piedosa dos Solas da Reforma”, “Resposta aos Adventistas do 7° Dia: Um Tratado Apologético”, “Desvendando o Islamismo: Dissecando a Religião Muçulmana”, dentre outras obras.
