CONSIDERAÇÕES SOBRE A FRASE “BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO”
– Clinton Ramachotte – 28/042020 Diante de um cenário humanista, onde muito se vê, de um lado, desejo de morte aos bandidos, e de outro, em um extremo oposto, a defesa aos bandidos. Afirmo logo de início que a Bíblia não está em nenhum dos dois lados. Confira abaixo algumas considerações sobre a famosa frase “bandido bom é bandido morto”: 1. Não existe bandido bom. Aliás, não há nenhum ser humano que seja bom (confira Romanos 3.10-13). Diante de Deus, cada indivíduo da terra é por natureza perverso, ainda que não cometa crimes graves como assassinar, estuprar ou adulterar. Sendo assim, é ilógico para um cristão afirmar que existe bandido bom. 2. Quando Cristo estava pendurado na cruz, tinha ao seu lado a presença de dois malfeitores (bandidos). Um deles, após zombar de Jesus, recebe a repreensão por parte do outro: “Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez.” (Lucas 23.40-41). No caso, o próprio ladrão afirmou que merecia a sentença de morte pelo(s) crime(s) que cometeu. Ou seja, sua posição é completamente oposta àqueles que se opõem a pena capital. Se esse evento ocorresse hoje, será que o malfeitor em questão seria apedrejado pelo movimento “tolerância”, aqui no Brasil? 3. Ainda falando do bandido que estava ao lado de Jesus na cruz, vemos que a sua condenação a morte não anulou as consequências dos seus atos. Embora seu desejo era estar com Cristo no paraíso (Lc 23.42), em nenhum momento ele clamou por sua vida. 4. A conversão daquele malfeitor não fez com que Jesus o tirasse daquela cruz. Aliás, em nenhum momento houve por parte do Senhor o desejo de livrar aquele malfeitor da morte. Ora, era propósito que Ele mesmo fosse crucificado, mas por que aquele homem que, embora tivesse cometido delitos, agora confessa Cristo como seu Senhor e Salvador? Se estavam errados em condenar aquele “bandido convertido”, Jesus teria que livrá-lo da morte, afinal, segundo os pensadores contemporâneos, condenar um criminoso a morte é contra o caráter santo e justo de Deus… mas não, não é. Temos respaldo para afirmar que o Deus santo não só estabelece a pena capital, como também a aprova em casos como estes, onde os infratores são condenados com justa causa. Sendo assim, qual deve ser o desejo do cristão para com os bandidos/ladrões e assassinos? Sem dúvida alguma, que sejam convertidos por Deus, caso Ele assim o queira, mas jamais esquecendo de que as consequências dadas por Deus são inevitáveis. A conversão não anula nossas dívidas com esse mundo. Deus é justo, e não justo como pensamos ser. Ele é justo para com todos. Davi pecou e colheu as consequências amargas do seu pecado. O fato de ter escrito um salmo belíssimo (o Salmo 51) e todo o seu clamor, em arrependimento, por perdão, não o livrou de ser envergonhado diante de Israel, e de colher outras mais consequências. Por outro lado, se, assim como o malfeitor da cruz, a morte for a consequência, que assim seja. O próprio Deus diz: “Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.” (Romanos 12.19) e “Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela.Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz em vão a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal” (Romanos 13.3-4). Soli Deo Glória!
