DIA DA BÍBLIA: UM AMULETO, UM LIVRO COMUM OU A PALAVRA DE DEUS?

Para nós, batistas, e também para outras denominações também, o segundo domingo de Dezembro é o dia da Bíblia. Nesse dia, vemos dois extremos: uns, exaltam muito a Bíblia, como se em suas páginas houvesse algum tipo de poder. Outros, sem nenhum apreço pela Bíblia, a considera um livro comum, como os livros de Camões, por exemplo.

O que é a Bíblia pra você? Sua resposta virá não só do que falas, mas também do que vives. A Bíblia é um amuleto para todos aqueles que a colocam, abertas em um Salmo, por exemplo, achando que dessa maneira obterão proteção e bençãos. Porém, para todos aqueles que fazem distinção entre “sagrado e secular”, a Bíblia é também um amuleto. É hipocrisia de nossa parte levar Deus a sério somente quando nos reunimos em nossos templos ou quando estamos na presença de outros crentes. Já ouvi de algumas pessoas a frase: “lugar de falar de Bíblia é na igreja”. Quanta ignorância! O mundo destes é como Nárnia: dentro do guarda-roupas, é lugar de coisas sobrenaturais; fora dele, a monotonia e normalidade tomam conta. Se somos cristãos, somos em todos os momentos. Somos cristãos quando fazemos bolo; quando jogamos futebol; quando tomamos banho. Se somos cristãos, somos habitação do Espírito Santo, e Ele [o Espírito Santo] não é como um colar ou um par de chinelos, que estamos constantemente tirando e colocando. Temos de tomar cuidado para que a Bíblia não se torne mais um objeto santo, pois Santo é aquele que a escreveu, inspirando homens. Dar importância demais e de modo errado para a Bíblia é um pecado que não podemos cometer. Se essa é a sua vida hoje, se arrependa e clame por perdão!

Há também outro grupo, cujo extremo é o oposto do que foi dito acima. Tais pessoas vivem como se a Bíblia fosse um livro comum, contendo pensamentos “legais” e que conta a história de um “cara” muito “gente boa”. Entretanto, quando algo dito na Bíblia se choca com o pensamento egoísta dessas pessoas, ela é imediatamente rejeitada. Para estes, a Bíblia é um livro comum, com mensagens bonitas, mas que não serve como prática de vida. Infelizmente, muitos membros de igrejas tem vivido esse pensamento, mesmo sem a intenção de vivê-lo. Essas pessoas vivem um cristianismo ateu, pois em parte acreditam naquilo que a Bíblia diz e em parte rejeita de forma veemente o que ela ensina. Fato é: aquele que é genuinamente filho de Deus, abraça a Bíblia, toda a Bíblia e somente a Bíblia. Como a parte equilibrada deste grupo, os verdadeiros crentes em Cristo, espalhados pelo mundo todo e em diferentes denominações, a Bíblia é a Palavra de Deus. Não é um livro comum, nem mesmo nele contém erros. A Escritura Sagrada foi preservada por Deus, afinal, Ele é soberano o suficiente para evitar que a Sua Palavra seja adulterada. Os filhos de Deus se apegam firmemente nessa verdade e entendem que a Bíblia é o manual pelo qual Deus ensina, corrige, guia e cuida do Seu povo. Comemoramos o dia da Bíblia de maneira coerente quando a colocamos como nossa única regra de fé e prática… quando não atribuímos poderes místicos a ela, mas reconhecemos que o poder ilimitado está naquele que a escreveu; também quando não a tratamos como um livro qualquer, mas como um livro inspirado, de forma inerrante e infalível, contendo a verdade e vontade de Deus para nossas vidas. O Catecismo Batista Puritano, compilado por Charles Spurgeon nos traz uma boa reflexão:

Pergunta 2: Que regra Deus nos deu para nos ensinar como podemos glorificá-lo?
Resposta: A Palavra de Deus, nas Escrituras do Velho e do Novo Testamentos (Efésios 2:20; II Timóteo 3:16), é a única regra que nos ensina como glorificar a Deus e ter comunhão com Ele (I João 1:3).

Feliz dia da Bíblia.

– Clinton Ramachotte

Clinton Ramachotte é membro da Igreja Batista em Moraes Prado, na capital de São Paulo.
Bacharel em Teologia pela FATERGE, e também pela ESTEC-REF. É também professor da matéria de Seitas e Heresias na ESTEC-REF.
Autor de obras importantes na apologética, como “Os 5 Solas e Eu: A Prática Piedosa dos Solas da Reforma”, “Resposta aos Adventistas do 7° Dia: Um Tratado Apologético”, “Desvendando o Islamismo: Dissecando a Religião Muçulmana”, dentre outras obras.

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