A VINGANÇA NUNCA É PLENA: Aprendendo com o Homem-Aranha

Talvez, ao ler o título desse texto, imediatamente você se lembrou do Seu Madruga. Mas adianto que não tem tanto a ver com ele.

Venho através desse texto falar sobre uma cena do filme “Homem-Aranha”, interpretado pelo ator Tobey Maguire. Esse é mais um dos textos onde tiraremos uma lição importantíssima, assim como os outros que escrevi (usando Arrow, Flash, Batman e Pokémon como exemplo, os quais estão disponíveis neste blog).

Por ser um filme bem antigo, creio que jovens de 17 anos pra cima conhecem bem a sua história. Homem-Aranha contém uma série de frases marcantes, é uma delas — a que quer destacar — ocorre do começo para a metade do filme, quando Peter Parker vai até um desafio de vale-tudo com o propósito de ganhar dinheiro e comprar um carro, a fim de impressionar a moça que gosta, Mary Jane. Ao vencer o desafio proposto, ele vai até o dono do evento de vale-tudo para receber 3.000 dólares, mas tudo que recebe são 100 pratas. Peter questiona o valor recebido pois alegou precisar do dinheiro e ouve a célebre frase: “E quem disse que isso é problema meu?”.

Peter está saindo do prédio e chama o elevador. No mesmo momento, entra um assaltante e rouba todo o dinheiro que o dono do local de luta lucrou. O ladrão corre até o elevador e passa por Peter, que poderia tê-lo impedido, mas não o fez. O mundo girou e o jogo virou. O homem que havia dado apenas 100 pratas a Peter questiona:

— Você poderia tê-lo impedido.

Peter o responde:

— “E quem disse que isso é problema meu?”.

O desfecho disso todos sabemos. O tio Ben, tio do Peter, morre pela mão do homem que roubou o dinheiro e não foi impedido pelo rapaz. Vingança! O desejo de Peter ao deixar que esse homem, que matou o seu tio, fugisse com o dinheiro foi vingança.

A justiça própria de Peter Parker teve por consequência a morte do seu tio. Pouco depois, Peter descobre que o homem que matou o seu tio, era o mesmo que ele deixou fugir.

Embora seja apenas um filme, é válido refletir sobre como nosso coração tem agido em situações como essas. Talvez seja muito mais satisfatório para o nosso ego que a pessoa que nos fez mal sofra tanto quanto nós sofremos, mas o que Deus pensa sobre isso?

Inspirado pelo Espírito Santo, Paulo cita o que o próprio Deus já havia falado ao povo liberto do Egito que estava no deserto (Dt 32.35):

“Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.” (Romanos 12.19).

Pagar na mesma moeda é algo que Deus abomina. Ao deixar que nosso senso de justiça própria tome conta do nosso coração, nós colocamos como melhores do que Deus, dizendo com nossas atitudes que Ele não sabe o que faz, nós é quem sabemos.

Ações pecaminosas nunca são soltas. A Bíblia mostra desde o princípio que o pecado tem consequência, e a consequência de Peter foi a morte do seu tio. Em alguns casos, as consequências são mais graves e em outras menos, mas elas sempre existirão.

A Bíblia diz: “O SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente; o SENHOR tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés.” (Naum 1.3).

A teologia da “música” sabor de mel não é o padrão para o cristão. A Bíblia sim é!

O apóstolo continua escrevendo no capítulo 12 tudo aquilo que é suficiente e ordenado a todos os cristãos:

“Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos 12.20-21).

Para que obedeçamos a Deus, é preciso que estejamos em constante comunhão com Ele. Por meio de Jesus Cristo temos essa comunhão, e não é algo utópico. Em toda a história temos relatos de homens e mulheres piedosos que agiram assim. Ao invés de ganhar na injustiça, perderam obedecendo e sendo justos.

Que sejamos assim. Se de fato somos cristãos, esse é o nosso padrão. Alto e único padrão!

— Clinton Ramachotte

Clinton Ramachotte é membro da Igreja Batista em Moraes Prado, na capital de São Paulo.
Bacharel em Teologia pela FATERGE, e também pela ESTEC-REF. É também professor da matéria de Seitas e Heresias na ESTEC-REF.
Autor de obras importantes na apologética, como “Os 5 Solas e Eu: A Prática Piedosa dos Solas da Reforma”, “Resposta aos Adventistas do 7° Dia: Um Tratado Apologético”, “Desvendando o Islamismo: Dissecando a Religião Muçulmana”, dentre outras obras.

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