É comum por parte de muitos “evangélicos”, principalmente nos dias de hoje, pensar que a oração no monte é mais “poderosa”. Segundo estes “evangélicos”, a oração no monte se torna mais poderosa porque “você está lá, subindo, fazendo sacrifício para Deus” (sim, eu já ouvi isso mais de uma vez). Entretanto, o que a Bíblia ensina sobre isso? Vejamos:
- Na Antiga Aliança, de fato havia um lugar para adoração. Os judeus tinham o templo, onde nele era feito sacrifícios de animais. Entretanto, Jesus foi questionado pela mulher samaritana sobre o local correto em que se devia adorar a Deus. Em sua resposta, Ele diz: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João 4.23-24 ACF). Ou seja, orar em um lugar específico como o monte ou até mesmo a igreja não torna a oração mais espiritual, e nem a adoração mais bíblica. Jesus é claro: a verdadeira adoração independe de um local, pois vai além disso.
- A Bíblia ensina uma doutrina que chamamos de “sacerdócio universal”. Significa que todo cristão é um sacerdote, ou seja, não é necessário que líder nenhum interceda pelo crente — todo e qualquer filho de Deus tem acesso a Deus por meio de Jesus Cristo sem necessitar de pastor, padre, papa, ou qualquer outro homem: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” (1 Pedro 2.9 ACF). Posto isso, fica evidente, mais uma vez, que não é o local onde estamos, mas como estamos diante de Deus. A Escritura declara que “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” (Salmo 51.17 ACF). Sendo assim, orar no monte, em casa, na rua, no banheiro do trabalho, isso pouco importa. Precisamos, de uma vez por todas, extirpar esse pensamento ritualístico e legalista do nosso meio, entendendo que a oração não é algo abstrato, mas um meio de se relacionar com Deus — para isso, não existe lugar adequado, afinal, ninguém deixa de ser cristão quando está longe do monte ou das reuniões da igreja.
- A fim de combater a hipocrisia, Jesus ensina que a oração não tem como propósito chamar a atenção para aquele que ora. Antes, deve ser feita de forma discreta, entre o filho de Deus e o seu Senhor: “E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.” (Mateus 6.5-6).
Não há nada de sobrenatural em orar no monte. O máximo que o monte pode oferecer de diferente é o silêncio e a calmaria, mas de maneira nenhuma é um lugar mais espiritual. Vemos conforme os textos bíblicos que a oração é comunhão com Deus, em espírito e em verdade, e que independe de local.
Observação: O argumento “Ah! Mas Jesus orava no monte” não cabe aqui, visto que são relatos narrativos, contando uma história; se porventura usar este argumento, esteja pronto a obedecer tantos outros textos narrativos como Judas indo se enforcar, Sansão matando a si mesmo e os filisteus, Davi adulterando e tudo aquilo que a Bíblia apresenta como HISTÓRIA e não como ORDENANÇA.
Clinton Ramachotte é membro da Igreja Batista em Moraes Prado, na capital de São Paulo.
Bacharel em Teologia pela FATERGE, e também pela ESTEC-REF. É também professor da matéria de Seitas e Heresias na ESTEC-REF.
Autor de obras importantes na apologética, como “Os 5 Solas e Eu: A Prática Piedosa dos Solas da Reforma”, “Resposta aos Adventistas do 7° Dia: Um Tratado Apologético”, “Desvendando o Islamismo: Dissecando a Religião Muçulmana”, dentre outras obras.
